>>> Um sentir diferente da paixão (Carta ao desconhecido de mim)

Ela caminhou dias até achar o portal, tinha em mente questões que a atormentavam desde o nascimento do dia... impetuosamente alcançou o outro lado e viu o que inconscientemente sabia, e rejeitava.Entre espelhos teve a visão do mundo ruindo ao seu redor, causados pela mentira e a dor, sim, ela sabia...mas parecia que nenhum sofrimento era maior do que aquilo que por si só já era imenso, e continuou sua caminhada...perguntando-se a cada instante: Não fui SER bastante ? Não fui um fluir constante daquilo que de melhor habitava em mim? E contradizendo todo e qualquer pensamento de Não, os espelhos murmurante inegavelmente diziam: Sim. E ela continuou o caminho,envolta no medo de fraquejar...mas queria mais, queria a compreensão de cada gesto, de cada atitude, de cada sentir...encontrou um rio de águas profundas,certa do que seria mergulhou sem temer o inevitável ...a verdade.E disse a si mesma ...a verdade libertará cada e qualquer coisa que ainda possa existir abaixo deste céu.Mas a verdade foi violenta demais, insuflou raiva,mágoa ...um quase ódio pelas coisas não ditas.E com o corpo imerso na dor,flutuou...desejando ser carregada até ás águas mansas, queria, como um monge ,manter-se fiel a si mesma a qualquer custo...o espírito,o corpo, a alma...
Mal sabia ela que a reconstrução de um mundo em ruínas é uma dura caminhada entre vielas estreitas, e um espaço quase impraticável, contradizendo qualquer expectativa do SER.O bastante pra entender que a felicidade é um estado efêmero da alma,assim como a paixão e qualquer devaneio, passa,e as vezes tão rápido quanto como aconteceu...o que conta mesmo é aquilo que de tão profundo não ousamos dizer.Para alguns, estar em busca de uma nova paixão todos dias é uma questão quase vital, significa colecionar pequenos prazeres que sabe, logo se desfazem e consequentemente não representam o perigo, e o mundo ao redor lhes dá a ilusão de que jamais ruirá ...E sim, em mim é também uma questão vital esta busca,mas sempre pelo mesmo ser todos os dias.O bastante pra entender que redescobrir-se todos os dias ao lado deste mesmo ser é uma dádiva e não uma maldição.