...meus olhos ainda nem abriram direito, e eu aqui da minha janela olhando a estrada me pergunto... quão longe será o dia em que a minha alma se sentirá em paz , até quando ela se esconderá embaixo das grandes asas imaginarias desse meu ser desarrumado.Agarro meu lap na ânsia absurda de vomitar todas as palavras, todos os pensamentos de até agora, num quase ato de contrição.Encontro-me nesse imenso labirinto de emoções desgovernadas.Desejei ser outra pessoa, desejei o pior até,desejei ser o que,ou quem eu não sou ,como uma segunda pele...no desejo inútil de não sentir, apenas pra não me aniquilar dentro da minha própria agonia.É certo,me aponta o caminho que eu me nego enxergar,porque é luz demais, é dor demais para os meus olhos cansados, e eu estive sem forças para abri-los.É certo, todos devem seguir,sem apego ...construir assim outros castelos,procurar por base como agulha no palheiro... Vislumbrar outras paisagens, na tentativa quase inútil também de colorir o branco e preto dos dias que se afloram. E é certo ,eu também devo ir... É quase uma obrigação percorrer junto aos ponteiros da bússola o lugar de tentar reinvetar-se, e quão violento pode ser recriar-se... ainda que disso dependa viver. É certo... feche os olhos e imagine essa mesma estrada, é longa e sinuosa e é também linear...e naquele ponto, bem naquele ponto da encruzilhada ,foi lá onde eu me plantei ,na absoluta inocência...criar raízes...na escassez da abundante água .Vê, estão definhando ao sol,no seco solo sem o tempo da próxima estação.Olha em torno,ergui todos estes muros também imaginários na tentativa de preservar a essência ,mas não,não foi o bastante...nesse momento eles também estão ruindo,ouve ? Deitam-se um a um pelo chão... e eu, agora eu estou nua diante da multidão que me espreita esperando a hora em que fraca serei arrancada pelo vento, e quando estas raízes serão apenas pó.Respira-me , do ponto aonde eu não possa mais,não permita, por D-us não permita que a minha grande árvore dos sentimentos puros seja mutilada e os pedaços engolidos pela terra, sem ter que repetir jamais....do pó viestes e ao pó retornarás.É até aqui aonde posso,mais...eu não posso.
27032010,11:45




