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Hoje não é um bom dia... Querido Giulliano,há dias em que sinto tanto a sua falta, nossas conversas,do nosso carinho amigo...você me entende tão bem...mas me mantenho distante, eu sei...cara a cara acho que não teria muito a dizer,pois apenas consigo sentir. Sei que andas a perguntar-se onde estou agora... aqui do alto dos meus pensamentos.Eu poderia fazer você entender,mas não...deixa assim...é que neste momento,estou dentro de mim, escondida a sete palmos me devorando inteira,e já nem falo aquela palavrinha mágica que tanto gostamos de dizer : (Re)inventar-se.E querido amigo,foi preciso esse mergulho ,nadar até aqui pra descobrir (literalmente) e enxergar e juntar todas as coisas que todos estes anos de vida (fora 1) não me deram e se espalham nas muitas ondas.E você sabe,quando se está no fogo como é arder, arder e quanto mais se arde mais se quer arder.Nada desiste, tudo se consome vivo. Não quero solidão, mas ela me atrai... como imã imaculado.

O que me traduz neste instante...

Tá tudo aceso em mim
Tá tudo assim tão claro
Tá tudo brilhando em mim
Tudo ligado
Como se eu fosse um morro iluminado
Por um âmbar elétrico
Que vazasse dos prédios
E banhasse a Lagoa ...
E ganhasse as Canoas
Aqui do outro lado
Tudo plugado
Tudo me ardendo
Tá tudo assim queimando em mim
Como salva de fogos....

Âmbar – Maria Bethânia


BSB-04042010 - 15:33