Tem quem diga que a ida até ao fundo do abismo é uma dor necessária. E é necessário doer até gastar tudo.É como sustentar a própria sorte nas mãos,vertendo escolhas para dentro do fundo escuro, e lá bem no fundo todas elas misturam-se esperando a hora de emergir,uma a uma .Enquanto isso uma outra parte do ser infla-se da palavra que não quer verbalizar. Auto-flagelo de um ego em abstinência, a briga constante entre um coração falido e uma razão obsessiva.
Por meios e circunstâncias eu serei o que sou até o dia da minha morte.
aneL
“... Eu nunca fui bem- comportada.Pudera, nunca tive vocação pra alegria tímida, pra paixão(e amor) sem orgasmos múltiplos ...Eu quero da vida o que ela tem de cru ... Estou aqui pra aprender a gostar de cada detalhe que tenho.E pra seduzir somente o que me acrescenta.Adoro a poesia e gosto de descascá-la até a fratura exposta da palavra.A palavra é meu inferno e minha paz.Sou dramática, intensa, transitória, e tenho uma alegria em mim que me deixa exausta.Eu sei sorrir com os olhos e gargalhar com o corpo todo.Sei chorar toda encolhida abraçando as pernas.Por isso, não me venha com meios-termos, com mais ou menos ou qualquer coisa.Venha a mim com corpo, alma, vísceras, tripas e falta de ar…Eu acredito é em suspiros, mãos massageando o peito ofegante de saudades intermináveis, em alegrias explosivas, em olhares faiscantes, em sorrisos com os olhos, em abraços que trazem pra vida da gente.Acredito em coisas sinceramente compartilhadas.Em gente que fala tocando no outro, de alguma forma, no toque mesmo, na voz ou no conteúdo.Eu acredito em profundidades.Eu tenho medo de altura, mas não êxito meus abismos.São eles que me dão a dimensão do que sou”
Maria de Queiroz
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