[da percepção]

... a inquieta luz de abril à proa de um sorriso , nem a gloriosa ascensão do trigo, a seda de uma andorinha roçando o ombro nu, o pequeno e solitário rio adormecido na garganta; não, nem o cheiro acidulado e bom do corpo, depois do amor, pelas ruas a caminho do mar, ou o despenhado silêncio da pequena praça, como um barco, o sorriso à proa... não, é só um olhar.

Eugénio de Andrade