...numa hipótese o amor,que se despeja no copo da vida até meio, como se
o pudéssemos beber de um trago. No fundo,como o vinho turvo, deixa um gosto amargo na
boca. Pergunto onde está a transparência do vidro, a pureza do líquido inicial, a energia de quem procura esvaziar a garrafa; e a resposta são estes cacos que nos cortam as mãos, a mesa
da alma suja de restos, palavras espalhadas num cansaço de sentidos. Volto, então, à primeira
hipótese. O amor. Mas sem o gastar de uma vez, esperando que o tempo encha o copo até cima,
para que o possa erguer à luz ... e veja, através dele, o inteiro.

Nuno Júdice