...devolva o neruda que você me tomou e nunca leu....lalalalala ((CANTANDO)) hehe...linda essa música do Chico né...hoje acordei assim,pensando Chico,Neruda e nessa poesia...
Eu sou dos que vivem
a meio mar e perto do crepúsculo,
além dessas pedras..
Quando eu vim
e vi o que acontecia
me decidi logo.
O dia já se tinha repartido,
já era todo de luz
e o mar lutava
como um leão de sal,
com muitas mãos..
A solidão aberta ali cantava,
e eu, perdido e puro,
olhando para o silêncio,
abri a boca e disse:
“Oh mãe da espuma,
solidão espaçosa,
fundarei aqui o meu próprio regozijo,
o meu singular lamento”..
Desde então jamais
me enganou uma onda,
sempre encontrei sabor central de céu
na água, na terra,
e a lenha e o mar arderam juntos
durante os solitários invernos..
Graças dou à terra
por me ter
esperado
na hora em que o céu e o oceano
se unem como dois lábios,
porque não é pouco, não é assim? ter vivido
numa solidão e ter chegado a outra,
sentir-se multidão e reviver-se só..
Amo todas as coisas,
e entre todos os fogos
só o amor não gasta,
por isso vou de vida em vida,...
e não tenho medo da luz nem da sombra,
e porque quase sou de terra pura
tenho colheres para o infinito..
Assim, pois, ninguém pode se equivocar
não encontrar a minha casa sem portas nem número,
ali entre as pedras escuras
contra o clarão
do sal violento,
ali vivemos minha mulher e eu,
ali ficaremos.
Auxílio, auxílio! Ajudem!
Ajudem-nos a ser mais terra cada dia!
Ajudem-nos a ser
mais espuma sagrada, mais ar da onda!
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Pablo Neruda,in Estravagario




