Foi pela segunda vez na mesma noite que chamei Samir,o meu anjo ...a escutar-me num eco ,ele chegou atenciosamente e mostrou-me de novo o seu amor.Da primeira vez eu queria apenas ouví-lo,não existiam pensamentos,nem vontades,nem procura ...da segunda eu quis apenas dizer-lhes: sinto como se este quarto fosse uma colina,é difícil fazer sentido, eu sei amado anjo,mas também sei que podes entender-me mesmo sem  que minha boca pronuncie uma única só palavra...não sei como cheguei aqui e agora não quero descer,posso permanecer ?Daqui eu posso sentir aquela brisa suave da qual falou-me da primeira vez em que aqui esteve,a brisa que vem do sul a minha procura sem eu ter que chamá-la pelo nome,Brisa.É quando fecho meus olhos para receber seu carinho, a vejo verde,florida,sutil,perfumada,movendo-se inocente a envolver-me em aconchego,assim tão almejado...como esquecer a primeira impressão boa de como tudo aconteceu e me fez subir até aqui sem nem mesmo sentir o peso nos meus pés cansados? É como (re)nascer...mas até que eu pronuncie o verdadeiro significado em ser colina,deixo assim...

[do que li hoje]
"Quando se toca exaustivamente a mesma nota de um piano consegue-se parar o tempo? O dia acordou com a expectativa desenhada nos passeios, nos rostos anónimos, nesta folha que agora perturbo com a loucura que se entranha na pele. Porque razão não consigo reter os momentos de felicidade? Hoje volto a escrever a lua e a deslocar-me vertiginosamente. Sinto vontade de renascer longe das horas para lá das terras altas onde o frio me retire a capacidade de pensar. Percorro planícies onde a água é escassa e o silêncio existe verdadeiramente. E são tantas as vozes que me envolvem. Tudo começa no ponto onde tudo terminou. Porque motivo o meu coração continua a bater desordenadamente? E onde se resguarda o homem que amola tesouras? Preciso de escutar o som entoado dos lábios. ... Por vezes sinto vontade de retalhar o coração em camadas muito finas e de o lançar no espaço. Lançar-me na indiscutível queda no vazio. Entre o meu olhar e o mundo. Recolherias os meus fragmentos se os encontrasses espalhados pelas ruas? "
Anônimo Francisco