Não é a coisa –
é a ideia da coisa
que te estarrece: a coisa
permanece lá, perfeitamente
equilibrada no seu centro.
(Por fora dela circulam os ventos,
a voz, o sonho, a ansiedade do visto,
esse desejo de segurá-la
que te inquieta
e de retê-la entre os teus dedos
por um instante.)
Não é a coisa (o que ela é)
que te deixa estupefato:
é a ideia que fazes dela,
assim de pé
sobre uma curva do teu caminho
ou sobre alguma pedra
que resiste à correnteza do rio.
A coisa – em si mesma –
(um ovo, por exemplo, uma luva, um chapéu)
permanece lá,
perfeitamente equilibrada
e posta para sempre além do toque
e para sempre além da perplexidade.
Renato Suttana
Não,não credite a mim nenhuma espécie de poder,apenas me ame com ternura e paixão ...ou do contrário perderás a minha semente para sempre.