Não é a coisa – é a ideia da coisa que te estarrece: a coisa permanece lá, perfeitamente equilibrada no seu centro. (Por fora dela circulam os ventos, a voz, o sonho, a ansiedade do visto, esse desejo de segurá-la que te inquieta e de retê-la entre os teus dedos por um instante.) Não é a coisa (o que ela é) que te deixa estupefato: é a ideia que fazes dela, assim de pé sobre uma curva do teu caminho ou sobre alguma pedra que resiste à correnteza do rio. A coisa – em si mesma – (um ovo, por exemplo, uma luva, um chapéu) permanece lá, perfeitamente equilibrada e posta para sempre além do toque e para sempre além da perplexidade.
Renato Suttana
 Não,não credite a mim nenhuma espécie de poder,apenas me ame com ternura e paixão ...ou do contrário perderás a minha semente para sempre.