é certo que alguns diriam,se não tens o que dizer melhor que não diga...no meu caso se não tens o que escrever,melhor que não escreva...mas ai escrevo,porque escrever seja lá o que for é ato que liberta.Já passam das 14hrs ,acordei,levantando de ontem ainda...Os dias de chuva têm sido os meus preferidos.Aos poucos as coisas vão se aquietando aqui dentro,como pingos na terra.Ando meio hiponga,calças folgadas, batas,pés descalços...quer dizer,nem tanto porque sigo usando meus óculos de grau (tremendo isso)...Tentando administrar uma fluência zen,quase uma concepção tibetana.Tipo uma coisa assim... "so aprende o que é viver quem passou pelo fogo da vida",e isso de andar sobre brasas ardentes é uma constante,não cessa, a cada passo aprende-se mais, renova-se,adiquire-se compreensão, o corpo e alma moldam-se numa mesma compreensão.Penso coisas,admiro coisas, sinto coisas...toco-me e sinto-me mais sensivel que nunca.Como agora,sentada aqui onde tem sido meu lugar favorito,embaixo da janela da sala ,escuto a chuva,com a caneta no guardanapo,(...hun,como assim ? Se tenho um caderno de anotações urgentes ? Tenho sim,mas fui ficando por aqui e guardanapo também serve pra isso, sabia ? ) desenhando palavras que possam dar asas ao meu pensamento, espio meus pés deitados sobre a madeira do chão escuro ...tenho muito respeito pelos meus pés ,já me levaram a tantos lugares,tocaram tantas terras,deslumbraram-se,cansaram-se,mas não transformaram-se,continuam iguais.Eu também continuo igual,mas de uma maneira diferente: Aos meus valores acrescentei algumas conotações,não para deturpá-los,mas para trazer leveza.
O som da chuva me leva a sensações conhecidas...como é possível sentir saudades do que nunca se viveu
?...sinto.Fecho meus olhos e sinto saudades de uma casa simples,situada numa viela, a cal
branca nas paredes , janelas pintadas de azul, piso de madeira e do barulho que esse fazia a
cada passo dado...o bougainville roxo trepado na sacada,a escada estreita até a
porta e acima dela o número 74 desenhados em mosaicos.Sinto saudades do
fogão antigo e do cheiro de broa que emanava de lá,da mesa simples e bem posta para dois,do frio suave que entrava
pelas frestas da janela,da meia luz, da cama quente com a colcha de retalhos
coloridos,do aconchego sincero,dos cuidados,da importancia de cada um e cada coisa...dos sonhos que ali habitavam.É possível sim...penso,saudades
de um tempo aonde fui tão feliz.Então abro os olhos e desejo tudo isso outra vez.
Quando falo ,não é porque seja bonito falar...mas porque é verdade, são as minhas verdades.




