” Houve esperança, houve fé, houve sorriso. Foi assim, repentino. Depois de tanto chorar tomou uma decisão, colocou uma música alegre e cantou. Se libertou. Nem ela entende como foi, simplesmente sorriu. E ocorreu uma sensação de glória, alivio, como tirar um fardo muito pesado das costas, tomar uma água gelada em um dia muito quente. Ela molhou seus lábios com felicidade, saciou sua sede de alegria. Assim, sem motivo, ela não achou o amor, não encontrou a amizade perfeita, nem sequer saiu de casa. Ela encontrou a esperança ali em seu quarto, na última gaveta do armário quebrado, embaixo da cama, entre seus livros empoeirados, ela não sabe direito aonde. Acho mesmo é que a esperança que a encontrou. E foi assim, sem pedir, implorar, ajoelhar, sem nem sequer pensar. Só sorriu, a esperança lhe trouxe alegria, acho que faz parte do pacote. Ela percebeu que era só aquilo que lhe faltava para voltar a sorrir, e não tinha como escapar. A felicidade lhe pegou desprevenida e ela adorou a surpresa. Era como um trem desgovernado, não tinha como evitar que ele a atingisse. Sorrir sem motivo, essa é a verdadeira felicidade. Sem motivo, razão, horário ou lugar marcado, só chega, só sente. Pois na vida, tudo que se é verdadeiro, só se sente. Não se explica, não se entende. E ela, muito agradecida, não quis entender aquilo, não quis entender o porquê, apenas sentiu o momento. Não se questiona algo bom, só se agradece. Assim como não se questiona algo ruim, só se aceita. Não adianta questionar, não haverá resposta. Então viva, não se questione, só se aceite. Só sinta. Woman in black