Escrever sempre ajudou a organizar melhor coisas na minha cabeça.Exteriorizar
para o mundo...já não sei mais.Tenho
preferido guarda-las,talvez porque todo desprendimento,verbalização da palavra
seja um ato de doação nossa,as nossas verdades ,e custa e as vezes nada importa,ou
significam a outros e no final tornam-se apenas palavras.Toda voz,todo grito
assim como as letras traduzem pensamentos e ajudam numa lógica(quase)perfeita a
(re)organizar,entender melhor a respeito desse todo que me cerca e sobre o m(Eu)
próprio ,o meu sentir, o meu falar,o meu olhar,o meu agir,aonde ir, como chegar...Estes
dias me fiz pensar(sim...há dias ando evitando qualquer pensamento que me traga
a tona o meu “não querer” ) : mas o que existe de tão significativo na minha
alma para que eu permaneça tanto tempo olhando para ela ? Sabe-se,absolutamente
nada precisa fazer sentido...não sei,mas por olhar bem talvez seja isso o
grande marco da minha natureza e jamais compreendido por mim: alguma coisa
necessita fazer sentido. De repente a gente percebe não ser mais aquela
“metamorfose ambulante”,a maturidade exige e algumas explicações precedem.E
mesmo sabendo que muitas sensações jamais deveriam sair do plano do
pensamento,algumas se perdem e exteriorizam-se, e por isso e apenas por isso
deixo aqui nessa plataforma algumas destas sensações registradas.As vezes me da
uns medos bobos,sabe...medo tipo”parece que não me demoro muito a nada que me
proponho”...meio louco isso. Mesmo com alguma ressalva...nunca fui o tipo
“medrosa” e sempre fui coerênte,certinha não,”coerênte”apenas.Medo sim de não
me situar “naquele”contexto almejado e me ferir (já que a todo instante é como
me ver num beco estreito onde mal me encaixo e as paredes salpicadas de
cimento, duro,áspero me impedem qualquer movimento mais intenso,e a medida que
avanço afunila-se mais) no quando e como dos motivos,das buscas,do encontro com
o desconhecido...talvez seja o momento que exige,vem daí...sempre nos curvando
aos momentos, dias sim, dias não,outros sem talvez,outros jamais...nenhuma
teoria,mas a constatação.
Enquanto escrevo
observando as reticências que carrego em mim,nítidas como as que desenho... Sim,reticências
fazem parte desse EU ...hoje penso que
tem alguma coisa a ver com a minha aversão a limites,já que um ponto final é
por si só indicação do fim.Reticências é
como deixar-se aberta a outros caminhos,ao que há de vir(sem o medo do
desconhecido que por vezes tem apavorado) ...Mas então penso, não é proteção
que busco,é algo além dessa coisa tão limitada chamada”momento”.Não, não
enganem-se, isso não quer dizer que eu não saiba usar o ponto final sem deixar
a mínima duvida ou margem a segundas interpretações sobre determinados assuntos.Sei
sim.
Disso tudo,o fato é que os dias trouxeram-me algumas novas
descobertas que acomodaram-se aqui :a muito
custo começo a acreditar no revés da vida.Sou,fui teimosa demais para
admitir para qualquer coisa dentro da minha existência ,o fim sem o prazer da
luta.A
grande verdade é que nessa escalada ,de degrau em degrau ando perdendo a fé .Quando
me viro e estão lá espalhadas pelo chão as coisas em que já acreditei e
possivelmente naquilo que virá.É algo assim como pegar algo que sempre esteve
ali e olhar de um jeito diferente e por vezes nada satisfatório,nada enternecedor...
(longa pausa,um cigarro,longo trago,mais um pensamento) Pois é,quantas vezes já
dissemos a nós mesmos... ‘quem dera não saber de nada,muito menos do
essencial’.Acreditemos então que está tudo realmente muito bem.




