...na infância ela tinha sempre um mesmo sonho de estar voando em volta de um abismo negro e frio e em algum momento do voo perdia as asas, assombrada numa queda que nunca teve fim.Cresceu sem gostar muito dos contos de fadas e preferia inventar suas próprias estórias,sem príncipes nem princesas,bruxas,duendes ou madrastas, mas de amigos imaginários fora do padrão : Uma asa de borboleta (pra nunca sentir falta de carinho),um carretel sem linha(um amigo que nunca iria embora),o cabo de uma cereja(lembrar apenas de coisas boas),uma gota de água presa num mínimo frasco vazio de perfume(uma maneira de tornar eterno o cheiro doce do canteiro de lavanda que sua avó tão gentil plantava )...Onde mesmo sendo estória,tudo fazendo parte da passagem de um tempo,de um tempo aonde mesmo atormentada pelos dragões do asfalto,o que a salvava ainda era a sua própria fantasia.
Eu,Cassiopeia