[por ser] vezes
-às vezes não há palavras que expressem essa amplidão nos
meus sentidos(devo culpar as madrugadas ?)
-às vezes ainda acredito em mãos que se oferecem
-às vezes a minha razão é enlouquecida, e eu a perco, e o
fio,e a meada
-às vezes eu cometo o pecado de ir além (como quem luta por
causas que já nasceram abortadas)
-às vezes o meu olhar me trai desavergonhadamente
-às vezes és tão desapiedada de mim (digo), e eu adoro!
-às vezes algumas palavras suicidam-se na minha garganta
-às vezes eu penso, e gostaria de ser o avesso de algumas
coisas que me traduzem
-às vezes minha alma sofre ímpetos de fotofobia, mas isso
não quer dizer que eu não enxergue ás escuras
-às vezes... as vezes não, eu não perdôo tão fácil -...então
cerra os olhos, e aspira o pólen das flores abrigadas na semente,bebe das
hibridas raízes castigadas de doçura,veneno pro teu ser medonho.Destroça as
pétalas,que sucumbem gastas, e as deita no leito do rio... fez-se reflexo,
quebrado pela correnteza ...assim pariu-se mágoa, disseminado algoz da própria
projeção.
-às vezes eu sou uma estranha mal dormida,descabelada e sem nenhuma sensatez
-às vezes a idéia queima num cigarro
-às vezes a minha linha é reta,porque violenta meu ser
aventurar-me em curvas que não vão dar em lugar algum
-às vezes eu sou uma esfinge...em outras, o bobo da côrte
-às vezes eu também sei ser uma palavra ‘par’,destas que
queimam, e ser a sina





