Tenho silêncios demais estocados na alma... as vezes me
consomem,me arranham a pele ou derramam-se feito álcool nas veias,e me jogam em
qualquer sarjeta.Estes,quisera não os tê-los,não mais...isto,que tem a forma do
desassossego,é qualquer coisa habitando o espaço infértil do meu ser fecundo.Isto
que contém letras escarlates,e que tem gosto de papel jornal.
"...levanto-me do breve neste dia, as palavras esperam por
nascer mas é pressentido o seu lugar, deslocamo-nos mais lentos que a abelha
estagnada sobre um campo de papoilas, o ar parece calmo, azulado...: a noite recua para os amplos desertos da surpresa."
Rui Nunes




