Ficamos quites, o tempo e eu. Eu frente a frente com seu estranho espelho, com que me reflete e transforma. O tempo, às vezes, também me sorri. Galante, sussurra-me que eu confie. Faz juras de sempre e nunca, pactos de agora em diante, medidas de não passar. Diz que quer envelhecer comigo. Diz mais bonito: que quer envelhecer em mim. Caio de novo na sua lábia. Aceito o tempo. Pede...que eu cuide bem do que faço dele. E promete, provedor, que se encarregará de tudo quanto fará de mim.

Roberta Mendes