[da experiência] num retiro espiritual
Imagina 3 dias absorvendo o silêncio, aprendendo com o silêncio,sem falar uma única só palavra ? Pois é...Decidimos de um momento para o outro pegar algumas roupas e cair na estrada rumo a um retiro espiritual de meditação e bioenergetica .Movidas pelo convite recebido de uma amiga ,e a boa intuição da minha cara metade que adora estas coisas de cunho holístico,yoga, Reike,cores,florais, cheiros,sabores,sentir a essência,o todo,algumas coisas que por acaso tenho simpatia,e(parcialmente )gosto,de que seria uma experiência única para nós.A decisão foi tomada por volta das 19 hr e as 22 hr estávamos na estrada(doideira ?viu nada...),GPS ligado e a minha cara de perplexidade diante “do que vem pela frente ?”.Ok...3 hrs e 36 m depois,noite afora,perdidas em alguns momentos do caminho,alguns perigos iminentes(mentira, sou dramática *-*)...simmm, coisa de gente louca!... estávamos diante de um lugar incrivelmente silêncioso,mesmo na escuridão da madrugada dava pra ver cercado de beleza natural, e aquele cheiro gostoso de terra molhada no ar(bons prenúncios ?).Umas pessoas simpáticas nos receberam no portão,nos acolheram cheias de delicadezas e sorrisos que cativaram na hora...uma sopa quente,algumas instruções de como deveríamos nos comportar naquele momento e durante os 3 dias.Deveriamos permanecer em silêncio, nenhuma forma de comunicação com os outros visitantes(instrutores sim, caso tivesse alguma dúvida,mas nunca, jamais elevar a voz)não matar qualquer ser vivo,incluindo formigas, baratas pernilongos...(pensei cá comigo, ai meu D-us o que eu estou fazendo aqui ?!Claro, sem explanar para a minha cara metade que de olhar estava exultante pela oportunidade de viver algo assim,e eu tinha prometido que antes de esboçar minha opinião contraditória(o que significa reclamar), como ela costuma dizer, iria olhar tudo com olhos de...monge ??)não roubar,não mentir,não ser sensual,não acasalar...opa! sim, acasalar foi este o termo, não usar qualquer espécie de tóxicos, o uso de câmeras fotográficas só seriam permitidos no último dia após a saudação final.Por si só,praticar o silêncio ,observar o silêncio ,sentir o silêncio...
Então, já acomodadas em  pequenas cabanas(do tipo 3X4 mesmo) apenas com o essencial,ou seja, duas camas simples de colchão de palha(confortáveis até)uma pia, um banheiro ,uma mesa de canto,um baú de roupas,luz bem fraca ou lamparina á gás, tudo bem rústico mas para mim,confessei, tudo muito encantador.Descansamos por uns minutos ,e 4:30 já estavamos no pavilhão principal aonde acontece a primeira meditação,raiar do dia,e vi o quanto de fato era bonito alí,cercado de montanhas,de verde,sol nascente,orvalho e silêncio,muito silêncio,e só então percebi  as cabanas eram bem distantes umas das outras.Obedecendo instruções,respirar...ame o seu corpo,sinta o seu corpo,o movimento do seu corpo,seja intenso,respire, relaxe,sinta-se presente...respirar, relaxar,respirar...Inevitavel não sentir-se leve,e realmente corpo e mente relaxados.Hora e meia depois saímos para o banho de cachoeira coletivo,de roupa mesmo,hora de comunhão silenciosa...a sensação era a de que estavamos alí para o primeiro reconhecimento do dia,para nos perceber pessoas integradas a natureza,ao convívio com a natureza...não existiam troca de olhares, nem sorrisos entre nós, mas em nós mesmos, se é que me fiz entender,percebi que posso  sentir paz mesmo cercada de muitas pessoas,e de coisas adversas que possam me distanciar do meu momento em paz,que posso desligar sem necessariamente ser desligada...é, algo bem assim.
 7:30 Descanso.Ás 8:00 deveriamos nos juntar aos outros (incluindo instrutores)na cozinha da sede para a primeira refeição do dia.Frutas,flores,aveia favos,mel ,inhame,centeio,pães caseiro feitos no forno a lenha,sucos,chá... café e leite ausentes,apenas chá.Comunhão.
9:00 Descanso,ou caminhada de conhecimento ao redor do campo,de preferencia de pés descalços,para sentir a terra, suas propriedades...era como sentir a terra nos acolhendo...bem bacana isso.É muito interessante o aprendizado de deixar as emoções fluir livremente pelo corpo,incita a coragem de viver, a amar mais ,reclamar menos,a doar-se mais.Penso também que praticar a paciência é muito importante nos dias de hoje,quando o mundo é tão imediatista, e quase não nos permite paz para o pensamento mais intimista.
9:30 Meditação,recebemos instruções para a respiração do fogo,a meditação que acompanha postura do corpo e exercícios,praticando e aperfeiçoando a respiração.
11:00 Almoço totalmente orgânico...e delicioso.
12:00 Descanso coletivo na sala da sede ouvindo mantras.
12:30 Meditação individual( em qualquer lugar a nossa escolha)eu escolhi frente aos montes,um lugar mais elevado no sentido geográfico,pude sentir o ar entrando pelas narinas,e pela primeira vez desde que chegamos,me senti de fato em comunhão com aquele lugar.
13:00 Reunidos no pavilhão para os exercícios de bioenergética, estabelecendo uma energia vital,aperfeiçoando o nosso regulador básico, o mais fundamental para o ser.Desbloqueando,desprogramando tensões,reconhecendo-se sensível,ter mais clareza a respeito do que nós queremos, e não do que esperam de nós, pois como é sábio nós somos responsáveis por criar a vida que desejamos para nós mesmos.Eu particularmente acato a bioenergética como um componente importante para o auto-conhecimento,já havia praticado antes,me fez  conhecedora de muito que habita em mim...mas fazia tempo, hoje são novas descobertas,não é mesmo ?Descobri que existem vários pontos doloridos no meu corpo que nem imaginava existir,provavelmente estresse...que foram eliminados.
17:00 Descanso na sala da sede e chá(lanche) coletivo.
19:00 Palestra no pavilhão com os mentores espirituais do lugar.Logo após, perguntas e dúvidas individuais com estes mentores.
21:00 Meditação em grupo(neste momento já estava integrada ao silêncio)
22:00 Apagam-se as luzes,hora de repousar.
Foi mais ou mesmo assim a rotina dos 3 dias,apesar do certo incomodo incial(muitas condições a serem seguidas ao pé da letra)pois quando vi o quanto de tempo que eu iria meditar,que de certo(levando em conta que estava no meio do mato) iria me coçar o tempo todo e o pernilongo rindo de mim que nem “de menor”amparado pela lei,e levando em conta ainda a minha fobia de pessoas que falam tudo no diminutivo,como fominha, carninha,dorzinha(simmm, juro que ouvi as pessoas falando tipo assim quando chegamos)...pensei de mim...sua louca!!!!ok parou, nem sou tão reclamona assim rsss)mas foi apenas uma sensação inicial de desconforto,pois o tempo foi precioso de fato, foram incríveis dias de paz de espirito,de aprendizado, num lugar belíssimo perdido no meio de tudo.Posso dizer que não conheci ninguém,mas (re)conheci um pouco mais de mim mesma ;) não era essa a proposta ?
Adendo:
... devo confessar também que entre um e outro momento bacana, uma única coisa sempre me vinha a mente para atrapalhar que nem mosca na sopa...coisa do tipo,como não vamos viajar neste natal(poupando grana para as férias de janeiro) ,alí seria um bom lugar para fugir do famigerado single “Então é natal” da Simone,já que tenho pavor daquele som chiclete nos ouvidos.Opa!Caiu do contexto zen.Mas faz sentido.

 21,22,23 112014