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Como eu gosto de ti, ninguém o entenderia. Nem a cama
esvaída que me obriga a desprender-me do corpo noutras roturas noturnas e
azedas. Nem a solidão taciturna que escorre devagar nos chuviscos flamejantes
do amor. Como eu gosto de ti, nem o mundo o aceitaria. As árvores trépidas, os
animais ferinos, a cadência dos lagos, mobília sisuda que ganha a morte sobre o
couro crestado. Como eu gosto de ti, só a melodia do poente trova. E se o amanhecer sucumbe nas copas das sequóias - ricocheteando como uma bala célere -
perfurando como um comboio alucinado - a incerteza dos teus sinais desmancha-se
sobre os meus lençóis na loucura do leito. Como eu gosto de ti, só eu sei, de
dentro para dentro, como um confim de baús entreabertos às galáxias chamejantes
do céu da boca. Como eu gosto de ti, segredando-me da voz o rasto da tua
presença, pernoitando-me de corpo fixo e amor esquivo, a temperança das tuas
enchentes.Alice Turvo
no nosso 14 042015
te amo meu blues .)




